Aconitum

Violenta tormenta que passa logo. De que outro modo descrever o contra-ataque a uma ansiedade que nasce de qualquer insignificância do nada? Você sente o turbilhão?

17.5.11

Filmografia de Jan Švankmajer






Preparei esta filmografia do diretor tcheco Jan Švankmajer para minha professora de tcheco divulgar no blog dela. E por que não divulgar no meu blog bissexto? Então lá vai.


As imagens que o cara criou sempre me fascinaram. Só para se ter uma ideia, em Escuridão, Luz, Escuridão, o corpo de um homem vai sendo formado aos poucos, num intenso conflito entre suas diferentes partes. De repente, ouve-se alguém batendo a porta. Ao abri-la, para surpresa do espectador, surge o todo poderoso falo acima.


No entanto, foi só depois que assisti Insanidade (Šílení), que achei que tinha que dar uma atenção especial a esse diretor que se dedicou a várias experimentações com stopmotion e construiu uma verdadeira dramaturgia da imagem no cinema de animação. Em Insanidade, Švankmajer mistura o trabalho de atores com suas famosas animações em stopmotion, em discursos paralelos, não meramente ilustrativos, mas contaminantes. É genial sua reflexão sobre as formas de controle na sociedade, que, como M. Foucault, parte da estrutura de um manicômio para desvendar os dispositivos disciplinares que dominam e controlam nossos corpos.


Listei abaixo aquilo que encontrei no youtube. Coloquei o título original em tcheco, com direito a todos os sinais diacríticos que palatalizam (!!!) as consontes e a tradução em português. Alguns dos títulos estão linkados a páginas que trazem a sinopse ou outras informações sobre as animações.


A filmografia dele é mais extensa do que está listado abaixo, mas essa pequena listagem já serve de introdução. Muita coisa também é possível de conseguir fazendo download na net.Um aviso: é preciso ter estômago forte e vários parafusos a menos para curtir e viajar com o trabalho doŠvankmajer.




Možnosti dialogu (1982, Dimensions of Dialogue)
Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=ocj4-y6sc9o
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=LhX1tvTgqC8&playnext=1&list=PLFF570670AB70376F
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Another kind of love(1988)
http://www.youtube.com/watch?v=A8htGU0_Fxk&feature=mfu_in_order&list=UL
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Cena de Něco z Alenky (1988, Alice)
http://www.youtube.com/watch?v=C5wHMgTPF-s
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Flora (1989)
http://www.youtube.com/watch?v=c9k5Ct7EHuE&feature=mfu_in_order&list=UL
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Zamilované Maso (1989, Amor Carnal)
http://www.youtube.com/watch?v=UQkWrZw05P4
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Tma/ Světlo/ Tma (1989,Escuridão, Luz, Escuridão)
http://www.youtube.com/watch?v=LuBwXfg3Mr4
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Jídlo (1992, Comida)
Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=39j7bypVxL8
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=KQSdZWgflAA&feature=BFa&list=UL7FqbnpE88WQ&index=7
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Trailler do filme Šílení (2005, Insanidade)
http://www.youtube.com/watch?v=NBCxUvBai7U
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Para saber mais sobre Jan Švankmajer, acesse:
Verbete do diretor na Wikipedia
Página eletrônica do diretor

2.5.11

Respira...


Como não afogar quando se mergulha num mar de dúvidas ? O Desespero Humano, de Kierkegaard, me marcou em determinado momento da minha vida. E até hoje ele volta. Como onda. Bate e reflui. Era incrível como ele descrevia com exatidão esse turbilhão de impotência que me domina.

Mas há a vida. Não se pode parar. Deve haver uma maneira de se aprender a nadar em meio a esse volteio de incertezas que nos assoma cotidianamente. Como medir nossas atitudes com a régua certa? Qual a balança mais indicada para pesar nossas ações? A moral? A ética? A religião? Ou a vigilância da minha mãe?

Diante da urgência da escolha, ele surge. Desespero de potência. Há um imenso universo de possibilidades, mas como se ter certeza que se fez a decisão certa? Tenho medo de errar. De não fazer a melhor escolha. Fibromialgia da alma. Paralisia. Depressão. Covardia moral, como diz Lacan. Essa incerteza me paraliza.

Hoje acredito que mais importante do que tomar a decisão certa, é TOMAR A DECISÃO. Fazer a escolha. E lidar com suas consequências. Ter responsabilidade sobre o que se faz e o sobre o que não se faz. Sobre o que se fala e o que não se fala. E aqui abraço novamente Riobaldo: o que a vida quer da gente é coragem. É dessa coragem que o Rosa fala.

E este post era só para comentar que gostei muito de ter assistido o texto de Eduardo Adianzén, ¡Respira!

Foi na VI Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, no último sábado. Encontrei Eduardo no saguão do Centro Cultural São Paulo. Ele veio do Peru para a estreia da peça na mostra. Trocamos nossas encomendas. Entreguei a ele a cópia de um texto que uma amiga peruana me encomendou. E ele me entregou as fantásticas chocotejas. Não direi o que são chocotejas. Apenas recomendo que visite Lima, imediatamente, nos próximos meses. Mas o melhor presente de Eduardo, que me perdoem as chocotejas, foi saborear seu maravilhoso texto.

José Manuel Lázaro está fantástico no papel de Mário, um limenho de 40 anos que partilha com o público seu medo de se afogar. De uma primeira experiência traumática, sofrida numa piscina quando criança, ele parte para nos relatar sua infância. Nesse percurso, surge a força da religiosidade e moral católica na sociedade peruana, o ambiente político da década de 1980 e o crescimento do Sendero Luminoso, cuja atuação deixaria uma ferida ainda aberta no Peru, depois de 20 anos de guerra civil.

Só mesmo o ponto de vista de uma criança para trazer poeticidade para um momento tão pesado na história do país. Eduardo revisita a ideologia da esquerda na América Latina (sim, nossa também... nós, latino-americanos, somos muito mais parecidos do que nós, brasileiros, imaginamos...) de forma a relativizar sua atuação, tanto dos grupos armados, quando dos intelectuais, nessas últimas décadas do século XX. Enquanto estes apostaram na democracia, que foi sufocada pelas diversas ditaduras que se implantaram no continente nesse período, aqueles fizeram a opção pela luta armada, que não logrou seu objetivo e ainda deixou, ao Peru, um saldo de 31.000 mortos. Quem fez a opção correta? E é diante da discrepância entre as certezas inequívocas dos personagens e suas consequências frustrantes  que Mário se sente afogar.

Respira... hay que aprender a nadar, pués...

5.4.10

O Cinema















Assisti Cinema, do diretor Felipe Hirsch, em cartaz no Teatro do Sesi. Era sexta-feira. E santa, agora me lembrei, santa! Sexta-feira da Paixão. Interessante experiência para um dia santo, para alguém que já abandonou há algum tempo a casa do Senhor. Mais do que espectador me senti um contemplador, para manter a experiência religiosa que o dia evoca. O cenário, como o título aponta, é uma sala de projeção, como tantas que já habitamos em nossa vida, com suas poltronas em couro vermelho, enfileiradas. Espaços de experiências que tornam esses lugares repositários de tantas lembranças e emoções.

No espetáculo, quinze atores se revezam num entra e sai constante, apresentando um desfile de personagens, que, com pequenas variações, repetem uma mesma operação: procuram uma poltrona, sentam-se e assistem a um filme. Filme esse que nós, público da peça, ignoramos. Dele escutamos apenas os diálogos. E lemos nas faces do elenco, as emoções que as cenas do filme suscitam nas personagens. Ficamos a imaginar o que aqueles olhos estariam vendo.

Por minha reduzida cultura cinéfila, não pude reconhecer nenhum dos filmes projetados. Para mim ficaram em segundo plano. Ali, o jogo de cena era outro. Eram as lágrimas e suspiros das mocinhas românticas, o flerte entre homens e mulheres, os encontros e desencontros de casais, o maravilhamento suscitado por uma cena apoteótica, as taras liberadas no escuro da sala. Pequenas cenas, construídas em curtos diálogos que pipocam de um lado e de outro do palco.

O roteiro surgiu de improvisações motivadas pelo diretor em parceria com o jovem elenco. Tive a impressão de que esse coletivo criador esgotou as possibilidades de situações possíveis de acontecerem numa sala de cinema. Apela assim, em alguns momentos, depois da metade do espetáculo, para situações bizarras, mas, ao mesmo tempo hilárias.

Nas brincadeiras dos atores, lembrei de quando meu pai corria atrás de mim e de meus irmãos nas sessões de desenhos da Disney. O filme era apenas pretexto para brincarmos de pega-pega na sala de cinema. Nas cenas de comédia, me identifiquei com essas risadas coletivas que arrebatam toda a plateia e nos fazem todos alegres ao mesmo tempo.

Observar esse espetáculo foi uma experiência interessante, como já disse. Chegou até mim de uma forma diferente, tocou minha alma de maneira distinta. Por isso parabenizo o diretor e o elenco.  Em determinado ponto, depois de tanto tempo na mesmo postura, sentados em semelhantes poltronas, plateia e atores plateia,  me senti tão irmanado com as situações vividas pelas personagens que a famosa quarta parede caiu. E me senti a vontade no meio deles.

9.10.09

Zé da Vaca - 10/10 a 13/12 - 11h - Teatro Commune



O Casulo – BonecObjeto & Cooperativa Paulista de Teatro apresentam

Zé da Vaca, de Ana Maria Amaral



O espetáculo conta a história de um menino, sua vaquinha e sua família. Depois que o pai vai para a cidade em busca de emprego, Zé decide vender Aurora, sua vaca, mas no caminho, o menino vive experiências fantásticas nas terras do Gigante. Zé da Vaca é narrado por atores e bonecos, através de inovadora técnica de manipulação inspirada no teatro de bonecos japonês (Kuruma Ningyo).


quando: 10/10 a 13/12, sáb. e dom, 11h
onde: Teatro Commune
R. da Consolação, 1.218, Centro
quanto: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia)


Produção: PróMB Produções

(11) 2872-1496
(11) 9247-4970
(11) 9183-2451